terça-feira, 2 de julho de 2013

Urnas eletrônicas? Nunca mais!...

Reflexões de um contra-revolucionário

Réquiem aos inocentes úteis
Carlos Mendes

Dossiê Completo
BRASIL
Anos de Chumbo
(Segundo escreveu o amigo Walter, passando-me a matéria abaixo, que “circulou numa revista de pouca circulação”; uma ironia, com certeza, pois há um “lay-out” da Revista Abril e citações de publicações em jornais nacionais de grande circulação:
“Quando na sexta-feira 13 de dezembro de 1968, o presidente Costa e Silva aprovou o Ato Institucional número 5, acabando com o que restava dos direitos civis e dando carta branca à repressão, muitos jovens ganharam o motivo que lhes faltava para pegar em armas. “A partir desse momento a luta armada se apresentou como uma alternativa razoável” afirma a historiadora Beatriz Kusbnir, diretora do Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro. “O golpe de 64 me despertou para a política. E o AI-5 me levou pra a luta armada”, resume o fotógrafo carioca Paulo Jabur, que entrou para o MR-8 em 1969.”
No Brasil formou-se um divisor de águas entre os ideais de liberdade e a revolução inspirada por “Sierra Maestra”, que acabou apaixonando os seguidores do psicopata Jânio Quadros e do seu vice, João Goulart. Esse divisor apresentou-se para mim com clareza meridiana através de uma experiência pessoal, a qual vivi entre 1955 a 59 e que em 1998 ganhou algumas páginas no capítulo V de minha auto-biografia romanesca: “Bacia do Macuco”, capítulo que recebeu o título: “O quebra cabeça”.
Essa experiência pode ser entendida como um “insight”[1] igual ao que ocorre na experiência psicanalítica, algo que, estando tão somente a nível inconsciente na mente sofredora, enquanto não iluminada pelo fato inquietante nela flutuando com contornos ainda indefinidos.
Esse penetrante, aguçado e inquietante desafio, eu passei para os leitores da minha autobiografia, ainda disponível economicamente em caderno grampeado.
O citado insight trouxe-me grandes ganhos psicológicos, pois compreendi, creio que tão bem quanto o Castelo Branco e seus aliados ideológicos, entre eles o grande mineiro e democrata Juscelino Kubitchek, aonde ia parar a preferência de Jango pelos componentes dos sindicados da classe trabalhista inspirados por Sierra Maestra através de circulares que chegavam, desde 1955 ao Brasil, principalmente pelos porto de Santos e Rio de Janeiro, e também por inspiração de militares de classe subalterna, desde 1955, quando foi encampada pelos sindicatos dirigidos por líderes comunistas,         que em 1964 também se acamparam na sede do Sindicato dos Metalúrgicos, no ABC, com suas faces carrancudas a tomarem os espaços televisivos e a inspirar-me o temor de o regime democrático capitular ante a propaganda castrista, que eu conhecia muito bem desde 1955 através dos discursos exaltados dos líderes comunistas que chefiavam os Sindicatos dos petroleiros e dos petroquímicos em Cubatão.
Os adolescentes de 1955, na década seguinte eram jovens engajados pela militância comunista, que sem pejo os colocava na luta contra a opressão, que eles próprios, no ardor romanesco do discurso castrista, deram causa apaixonada para esses jovens se engajarem nos ideais totalitários, que em Cuba j´s havia resultado no estabelecimento no regime político que já apresentava sinais evidentes de falência na pátria de Lenine.  
Como paixão pela luta é próprio dos jovens recém saídos da adolescência, muitos dos nossos jovens se perderam para os ideais comunistas, que de liberdade só em a aparência construída por raposas raivosas e maldizentes “do enricar pelo trabalho competente da classe trabalhadora, que para o sucesso paga o alto custo da formação superior ideal”. Cruel paradoxo!...
Réquiem par os inocentes úteis, que sem saída possível depois dos engajamentos, foram ceifados ainda jovens pelo confronto armado contra outra ideologia totalitária pós-castelista, a qual se justificava pela necessidade de um contraponto impositivo.
E agora, ante as múltiplas manobras políticas desta perigosa conjuntura política que tem como eixo motor, não a propalada maioria petista, mas os seus manobradores “não destros”, a alinharem junto à putrefacta liderança dos petralhas?
Dêem resposta urgentemente à presidenta Dilma: “Não queremos plebiscitos! Sabemos que plebiscito está sujeito às mesma manobras políticas que vêem fazendo do povo brasileiro cidadãos de categoria inferior. Queremos “recursos” para organizarmos, exclusivamente com cidadãos não políticos da esfera civil, uma nova fórmula republicana-democrática para organizarmos as escolhas dos agentes políticos.
Saibam abaixo o porque:
Plebiscito!?... Façamos retumbar um sonoro “NÃO”, que corra pelo Brasil inteiro, organizando-se um formidável batalhão de brasileiros fortes e adestrados para ajudar nossa força policial a manter um protesto forte, destemido e imperioso para dizer um “NÃO” definitivo às manobras dos malditos e malandros políticos que não querem entender, que nós, sociedade civil, estamos cientes que nos cabe poder de eleger e de cassar os políticos, pois os políticos são apenas e tão somente, “mandatários”[2], e nós, “sociedade cível”, da qual saem esses mandatários para nos servirem.
Nós, “Sociedade Civil” e não servidores de interesses políticos. O nosso voto sempre representará os nossos interesse de sociedade civil, aos quais estão os políticos obrigados a defender, sendo também nosso o arbítrio de manter ou destituir o político que não cumpra essa função pela qual foi eleito pela Sociedade Civil, que queremos passe a representar a massa de brasileiros n ao liga dos a nenhum partido. Por tudo isto, exigimos que, aqueles que elegem, sejam os que decidam a cassação dos mandatos que julgarem imp´roprios aos interesses da nação, pois somos “mandantes”[3]  



Queremos organizações de pequenos núcleos onde os eleitores proclamem os seus candidatos,       
Carlos Mendes
Escritor e poeta; ex-colunista dos jornais “Correio do ABC(1996/97) e da seção cultural dos Sete Jornais de Bairro em Mauá(1997/98). No ano 2.000, escreveu a apresentação ao projeto “O Brasil e a Mídia”, que o MINC colocou na Galeria NO  TREE, em Berlim


[1] Visão súbita, , iluminação, intuição, que permite, por exemplo, ao animal resolver  imediatamente um problema,
[2] MAN.DA.TÁ.RIO - s.m. 1. Indivíduo que recebe ou executa mandato. 2. Representante; procurador; legado. Antôn.: mandante.
[3]MAN.DAN.TE adj.2g. e s.2g. 1. (Pessoa) que manda. S.2g. 2. Pessoa que instiga ou incita (outrem) a certos atos (antôn.: mandatário)






URNAS ELETRÔNICAS: NUNCA MAIS!

Queremos organizações de pequenos núcleos onde os eleitores proclamem os seus candidatos,       
Carlos Mendes
Escritor e poeta; ex-colunista dos jornais “Correio do ABC(1996/97) e da seção cultural dos Sete Jornais de Bairro em Mauá(1997/98). No ano 2.000, escreveu a apresentação ao projeto “O Brasil e a Mídia”, que o MINC colocou na Galeria NO  TREE, em Berlim.    
























sexta-feira, 21 de junho de 2013

Café des Phares

Comentário ao artigo: “Paris tenta iluminar crise com filosofia nos cafés”, Caderno “Mais”, jornal Folha de São Paulo.
24 de março de 1996
Da coleção “Penetra em Selva de Poeta”
De: Carlos Mendes





Fala Lévi-Strauss
aos filósofos dos cafés:
“O mundo não me interessa mais”.
Esse, que o anthropos devia conhecer,
arruína, indiferente,
o que já era decadente.
Fora dos cafés,
juntando-se ao fugitivo penseur
abandonando a vida,
na filosofia do “L’Odeon”,
ou na qualidade de membro das academias,
influenciando os pensadores,
a lógica das transformações,
ou o “in fiere” de Deleuze,
leva ao caos as convicções.
esses tíbios pensadores
comprometem o entendimento
e desta feita transformam
Os filósofos em palradores.

terça-feira, 18 de junho de 2013

O menino e o Urso
                  Carlos Mendes
  
   Para ilustrar a embaraçosa situação de uma pessoa tentando se livrar de algo que insistiu em conseguir, um dos mais notáveis estadistas que a raça humana produziu - mestre na arte de referir episódios da vida através de alegorias -, contou certa vez esta história:
   “Um menino desejoso de possuir um urso verdadeiro, insistentemente aborrecia diariamente o seu pai pedindo que lhe comprasse um urso de verdade.
   “Cansado com a obstinação do filho, o pai trouxe-lhe finalmente um ursinho recém nascido, que por muito tempo constituiu-se a alegria do menino.
   “Crescendo o ursinho, atormentava o menino com brincadeiras nada delicadas, arranhando-o e destruindo os seus brinquedos.
   “A situação tornava-se insuportável e o menino maquinava agora como livrar-se do incômodo animal sem expor-se à reprovação do pai, que lho dera.
   “Acostumara-se a passear com o ursinho amarando-lhe uma corda ao redor do pescoço, o que repetiu num certo dia com um intento diferente, sendo o animal já bem crescido. Cansado e desanimado ele sentou-se à calçada de uma rua.
   “Passando por ali um homem, viu aquela cena insólita e deteve-se junto ao menino, perguntando-lhe: -  “Menino, o que você faz ai com esse animal horrível? Por que não o solta?
   “O menino encostou o dedo indicador no nariz e sussurrou: - “O senhor não vê que ele está justamente roendo a corda?”

   Nós temos atitudes muito parecidas com o menino da história. Quando possuímos entendimento, descobrimos que lutamos por muitas coisas que só nos causam males, ou que nenhum bem produzem. Então, como fez o menino, ansiamos delas nos livrar, mas como ele sentimo-nos embaraçados por serem justamente as coisas que escolhemos.
   A Bíblia chama essa contradição de “sabedoria deste mundo” (I Coríntios 3:19), classificando como “loucura da pregação” a exortação do evangelho  para abandonarmos tais coisas e aceitarmos aquelas que Deus sabe serem as que promovem a verdadeira felicidade (I Coríntios 1:21). A Palavra de Deus também diz: “Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para os que são salvos, é o poder de Deus” (I Coríntios 1:18).
   Têm inventado muitos termos para referir a desventura do homem. Na Bíblia só encontramos um: pecado, que significa tudo quanto o homem deseja fora da vontade de Deus. O pecado é como o urso da história, pois é nosso por nossa própria escolha. E assim como o urso é o pecado. Se, ou quando, ele começa a incomodar-nos temos nisto o sinal que tornamo-nos pessoas conscientes, que sabem discernir bem os bons valores da vida. Mas o incômodo urso não faria tanto dano ao menino quanto o pecado faz ao ser humano, que por este permanece destituído do poder do Espírito de Deus.
   Diante do dilema: Cauterizar a consciência ou livrar-se do pecado, o ser humano não pára de sofrer.
   Como o urso, o pecado começa a roer a corda quando nos inclinamos a ouvir “a loucura da pregação” do evangelho de Jesus. Vai embora quando pela fé em Cristo a entendemos e a aceitamos (1Coríntio 1:21).
   Sem o pecado as dores perdem a dimensão do infortúnio e passam a ser perfeitamente suportáveis. Esse livramento é obra do amor de Deus, tão infinitamente grande e inexplicável como o próprio Deus. A Bíblia até declara que Amor é o próprio Deus e ainda fala assim desse amor: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” (João 3:16).
   Para o livramento da opressão do pecado é preciso confessar Jesus como único Senhor (Romanos 10:8 e 9). E a verdadeira fé na sua ressurreição leva-nos a crer que, assim como ele ressuscitou dentre os mortos, ressuscitaremos também pelo Seu poder (I Coríntios 6:14).
   Que o leitor viva em Cristo para Deus é o que lhe desejam todos os que para Ele já vivem.


NOTA:  Esse Conto Ligeiro data de l981, quando circulou numa edição com dez mil folhetos. O autor era, então, evangelista pela PIB em Suzano.

terça-feira, 11 de junho de 2013

Capitalismo e religião

Em 1921, Walter Benjamin escreveu um breve artigo que viria a público somente após sua morte: O capitalismo como religião. Nele o filósofo acreditou ter decifrado três das principais características da sociedade capitalista de seu tempo, enquanto fenômeno intrinsecamente religioso.
O capitalismo seria, em primeiro lugar, uma religião essencialmente cultual: o dinheiro, a riqueza, etc., representariam as divindades às quais se deveria servir, impreterivelmente e sem vacilação. Segundo: o culto preconizado pela religião capitalista não possuiria um dia ou uma ocasião específica para sua realização: ele sreia permanente. E sobre isso o filósofo afirmou: “Não há dia que não seja de festa, no terrível sentido da ostentação sagrada, da tensão extrema que reside no adorador.” O terceiro traço: o culto que esse sistema produziria seria culpabilizador e sem a possibilidade de expiação. Como consequência, as pessoas s4eriam tomadas de um desespero renitente e cruel, sem qualquer chance de redenção.
Ao travar, mais tarde, contato com a obra do húngaro György Lukács, em 1924, o filósofo alemão acabou abandonando algumas daquelas idéias. Ele aproximou-se do marxismo, deixou de condenar o capitalismo como religião e passou a criticar o culto fetichista da mercadoria, analisando as galerias parisienses como “templos do capital mercadológico”. Em nossos dias, coube ao italiano Giorgio Agamben retomar e desenvolver algumas das antigas reflexões benjaminianas sobre o capitalismo como religião, dando a elas uma fundamentação um pouco onde subsiste a maioria das pessoas.
Para fundamentar teoricamente sua reflexão, o filósofo serve-se dos escritos dos juristas romanos do passado, tema diferente.
É verdade, diz Agamben, que o capitalismo possui cultos, que esses cultos são permanentes e que a culpabilização gerada não oferece possibilidade de redenção. Mas o que é mais fundamental, e que justifica a comparação do capitalismo com uma religião, é o fato de essa forma de organização social estabelecer, em sua própria substância, uma cisão radical que cria a esfera do sagrado em contraposição ao mundo meramente humano, este em que é especialista. Na Roma antiga, afirma Agamben, “Sagradas ou religiosas eram as coisas que de algum modo pertenciam aos deuses. Como tais, elas eram subtraídas ao livre uso e ao comércio dos homens, não podiam ser vendidas nem dadas como fiança, nem cedidas ao usufruto ou gravadas de servidão. Sacrílégio era todo ato que violasse ou transgredisse esta sua especial indisponibilidade, que as reservava exclusivamente aos deuses celestes (nesse caso eram denominadas propriamente ‘sagradas’) ou infernais (nesse caso eram simplesmente chamadas ‘religiosas’).” (Agamben, 2007, p. 65)
Nestas reflexões, religião é, portanto, aquilo que retira coisas, lugares, animais ou pessoas do contato com o vulgo e as transfere para uma dimensão à parte da existência. Não há religião sem separação, e todo tipo de separação feita nesses moldes contém algo de religioso (o dispositivo que realiza a transposição de um determinado ente do mundo dos homens para as regiões divinais é o sacrifício).
Muitas pessoas acreditam, explicou Agamben, que o termo religio deriva de religare (isto é, o que une o humano e o divino), mas essa relação não é verdadeira. Religio deriva, de fato, de relegere que significa precisamente “a atitude de escrúpulo e de atenção que deve caracterizar as relações com os deuses, a inquieta hesitação (o ‘reler’) perante as formas – e as fórmulas – que se devem observar a fim de respeitar a separação entre o sagrado e o profano” (ibid., 66). Religião, então, é exatamente aquilo que separa (e reforça a distinção) entre os mundos humano e divino.
Por outro lado, o que em verdade supera a cisão entre ambas as esferas não é a deferência em relação ao divino, e sim uma atitude de “negligência” para com as normas que a religião estabelece. É essa atividade que Agamben, na esteira dos juristas romanos, denomina de profanação: “Profanar significa abrir a possibilidade de uma forma especial de negligência, que ignora a separação, ou melhor, faz dela um uso particular.” (ibid., 66)
Nesse sentido, explica o filósofo, uma das maneiras de se fazer esse “uso particular” do sagrado e burlar o conjunto de normas que realizam a separação entre humano e divino é a atividade lúdica, o jogo. Conforme suas palavras:
“Brincar de roda era originalmente um rito matrimonial; jogar com bola reproduz a luta dos deuses pela posse do sol; os jogos de azar derivam de práticas oraculares; o pião e o jogo de xadrez eram instrumentos de adivinhação. Ao analisar a relação entre jogo e rito, Émile Benveniste mostrou que o jogo não só provém da esfera do sagrado, mas também, de algum modo, representa a sua inversão. A potência do ato sagrado – escreve ele – reside na conjunção do mito que narra a história com o rito que a reproduz e a põe em cena (grifo nosso). O jogo quebra essa unidade: como ludus, ou jogo de ação, faz desaparecer o mito e conserva o rito; como jocus, ou jogo de palavras, ele cancela o rito e deixa sobreviver o mito. (…) Isso significa que o jogo libera e desvia a humanidade da esfera do sagrado, mas sem a abolir simplesmente. O uso a que o sagrado é devolvido é um uso especial, que não coincide com o consumo utilitarista. Assim, a ‘profanação’ do jogo não tem a ver apenas com a esfera religiosa. As crianças, que brincam com qualquer bugiganga que lhes caia nas mãos, transformam em brinquedo o que pertence à esfera da economia, da guerra, do direito e das outras atividades que estamos acostumadas a considerar sérias. Um automóvel, uma arma de fogo, um contrato jurídico transformam-se improvisadamente em brinquedos.” (ibid., 66-7)
Note-se, então, que no jogo, que é uma das formas exemplares de profanação, as coisas são retiradas de suas relações costumeiras e inseridas em novas relações completamente distintas das primeiras. Um objeto com uma função específica, como por exemplo uma vassoura, pode virar, numa brincadeira, um cavalo. Uma estrutura que envolve determinadas práticas sociais e significados quebra-se para que outra venha à tona.
Contudo, diz Agamben, o “jogo como órgão da profanação está em decadência em todo lugar” (ibid., 67). Em nossos dias, de “religião capitalista”, os homens e mulheres já não tomam mais o jogo como meio de restituir o sagrado ao mundo humano. Não que não haja mais jogos – ou festas e danças, também concebidas originalmente como práticas anuladoras da separação – no contexto contemporâneo. Mas é que, naqueles que hoje existem – os “jogos televisivos de massa”, por exemplo – o objetivo realizado é apenas a instauração de uma nova liturgia, que seculariza por um breve momento o que nas situações diárias é considerado como objeto de culto e reverência. Mas secularização, adverte o filósofo, é diferente de profanação.
“A secularização é uma forma de remoção que mantém intactas as forças, que se restringe a deslocar de um lugar a outro. Assim, a secularização política de conceitos teológicos (…) limita-se a transmutar a monarquia celeste em monarquia terrena, deixando intacto, porém, o seu poder. A profanação implica, por sua vez, uma neutralização daquilo que profana. Depois de ter sido profanado, o que estava indisponível e separado perde a sua aura e acaba restituído ao uso.” (ibid., 68)
A secularização, portanto, muda de lugar um elemento no interior de um determinado sistema de relações que permanece, por sua vez, intacto. A profanação, ao contrário, desativa esse sistema. É por isso que é a profanação, e não a secularização, que deve ser perseguida por aqueles que não querem se deixar aprisionar pelo culto culpabilizador (e desesperador!) da religião capitalista.
O capitalismo, diz Agamben, generaliza e absolutiza o princípio definidor da religião. Em todos os âmbitos da atividade humana pode-se verificar o processo multiforme de separação que o sistema implementa. É interessante observar, nesse contexto, como o filósofo italiano aproxima tal fenômeno do fetichismo da mercadoria de que falava Marx. Conforme suas palavras:
“Na sua forma extrema, a religião capitalista realiza a pura forma de separação, sem mais nada a separar. Uma profanação absoluta e sem resíduos coincide agora com uma consagração igualmente vazia e integral. E como, na mercadoria, a separação faz parte da própria forma do objeto, que se distingue em valor de uso e valor de troca e se transforma em fetiche inapreensível, assim agora tudo o que é feito, produzido e vivido – também o corpo humano, também a sexualidade, também a linguagem – acaba sendo dividido por si mesmo e deslocado para uma esfera separada que já não define nenhuma divisão substancial e na qual todo uso [no sentido de profanação] se torna duravelmente impossível. Esta esfera é o consumo.” (ibid., 71. Grifos nossos)
Portanto, tudo que é feito, produzido e vivido torna-se mercadoria – tudo é interiormente cindido. A existência social como um todo divide-se e o consumo passa a ser a esfera onde a consagração das coisas é consumada. As coisas tornam-se reverenciáveis por si mesmas, sagradas, veneráveis e acima do universo do humano.
Qual a alternativa? Fazer outro uso das coisas, diz o filósofo: estabelecer uma forma de relacionamento social que elimine a separação instaurada pelo capitalismo e que restitua ao domínio humano o que o sistema aliena para o plano do sagrado. Numa palavra, é preciso profanar.
“A profanação do Improfanável é a tarefa política da geração que vem”, assevera Agamben, sem hesitação. Se estiver certo, as revoluções do século XXI deverão ter um caráter profundamente lúdico e profanatório.
Estes os pensares dos que costumam buscar imortalidades em “tábuas rasas”, coisas ou inven-
ções que amiúde vêem sendo escritas e raspadas sobre a mesma cera das presunções humaas do saber. São coisas que venho aturando ante o fastio do que é a capacidade humana para divergir daquilo que realmente interessa; do que é imutável e da autoria Daquele que é desde sempre e para sempre.
Benjamin e os palradores que o sucederam – e sempre sucederão - não falaram sobre as Palavras Eternas, que registram com sua singular simplicidade o que se lê em 1 Timóteo 6:10: “Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores.”
A "profanação do improfanável", como Agamben "conclui sem hesitação", para mim é tarefa político-religiosa que não está por vir, mas que acontece desde as barbáries cometidas contra os "Heróis e Mártires", desde o primeiro século do cristianismo.
Se contar com o inhteresse de meus leitors e seguidoires por este importante assunto, começarei e continuarei com as histórias desses heróis e mártires, transcrevendo uma obra que herdei de meu pai que, por sua vez, na década de quarenta herdou-a da biblioteca do Rev. Alberto Augusto, pastor, teólogo e latinista. Essa obra a que me refiro foi editada em 1917 por Juan C. Vareto, profundo pesquisador dos documentos históricos qque datam do século III.
Juntamente com a reedição do texto: "Heróis e Mártires", oferecerei também pareceres embasados em minha própria erudição. 
Carlos Mendes

Referências: Agamben, Giorgio. Profanações. São Paulo: Boitempo, 2007.
GIORGIO AGAMBEN: POLÍTICA DA PROFANAÇÃO VERSUS RELIGIÃO DO CONSUMO, pelo viés do colaborador Demétrio Cherobini*

*Demétrio Cherobini é Cientista social, mestre em Educação pela Universidade Federal de Santa Catarina.

sábado, 8 de junho de 2013

Artigo

NOSSA VIDA SUB-JUDICE
Carlos Mendes

"Adhuc sub judice lis est." A lide ainda está sob [apreciação do] juiz” é a trágica situação de um “reles” civil. Há infinitos exemplos de uma outra ordem jurídica alheia a elementos civis que cobrem, protegem, guarnecem a sanha ilegal dos elementos civis eleitos e/ou nomeados por estes a cargos executivos em qualquer um dos três poderes no Brasil.Vamos eleger apenas um exemplo entre os miríades disponíveis em toda a longa história de injustiças, que vêm a décadas (antes sob o gládio dos monarcas, e depois da proclamação da república, dos políticos, que fazem política em causa própria), oprimindo o indivíduo da área civil no Brasil, que sempre foi e continua sendo “burro de carga”, sobre cujas costas está o pesado Estado brasileiro, sem nunca ter dele obtido a contra partida do benefício público que a outra classe, a política, consegue antes mesmo da primeira instância nos processos de incriminação deles contra a ordem pública que enfrenta e que nunca foi inaugurada oficialmente pelos legislativos brasileiros, quando o sujeito da transgressão às leis é um ente político desfrutando as benesses do poder. Dizem que alhures sucede o mesmo, desfaçatez sem mérito argumentativo, pois a massa humana sem princípios éticos, morais e espirituais é a mesma em qualquer parte do mundo. Nenhuma novidade argumentativa meritória, portanto, nesta torpe, vândala, ignóbil, e não sei quantas mais adjetivações pejorativos caberiam aqui nesta minha argumentação revoltosa.
Que nos maltratem, trucidem e humilhem, proclamo como ente civil. Que façam lá o que quiserem, pois: o que vale a vida sem liberdade, igualdade e fraternidade, anseios que pelos    quais Jean-Jacques Rousseau sofreu desprezos de toda sorte, por pregá-los pela primeira vez como bem social inalienável ao ser politycos como ideais a um regime político justo. Sua obra empoeirou-se nas galerias do saber humano! Foi relegada a simples folclore e não permaneceu ativada na vida pública real, porque pusilânimes são todos os homens do mundo; em todas as épocas o foram (ressalvando-se na da queda da bastilha), e continuam sendo! Por covardia nunca seguem em frente na defesa dos justos ideais. Basta o barulho de um desembainhar de espada; um clic armando o gatilho de uma reles garrucha, e logo o homem se mija de mêdo. E assim segue ele vivendo sob o tacão das botas militares comprometidas com o fausto enganosamente prometido pelos chamados poderosos deste mundo governado por políticos descaídos de todas as virtudes humanas!
Bem, chego ao que de fato propuz excrever neste artigo.    

            Há entre nós “cagadores” de histeria nacional, que redigem uma história nacional que lhes acoberte a histeria pelo poder. Parece-me que entre o final de cinqüenta e início de sessenta foram queimadas as verdadeiras páginas de nossa história, que não nos informaram grandes conquistas nos ideais de liberdade, fraternidade e igualdade, mas que deixaram aberta essa possibilidade. Mas, pelo contrário, entre nós, no momento, tudo está à venda. Até mesmo as consciências cobertas por juramentos acadêmicos.

            Que droga de país está sendo arquitetado pela infame rede dos famintos pelo poder. Nossa pátria é hoje em dia um país conquistado. Nele quase não existe mais o ideal da verdadeira brasilidade.
            Só não consigo entender a escolha atual dos irmãos do sul recair sobre o pulha que os está governando (digo-o quase a rir, pois é muito forte a minha convicção da fraude eletrônica nas nossas eleições). Certa vez, em 62, quando em Porto Alegre mantinha uma filial de minha empresa na Praça da República, e tratava com os empresários locais,  numa famosa barbearia da Rua Da Praia, ou saboreando as carnes preparadas na Taberna Gaucha com a roda de amigos e funcionários locais; quando nas viagens de ônibus entre Porto Alegre e Caxias do Sul, a conversar com outros passageiros, desde gaúchos de Bagé até os descendentes de italianos nas serras gauchas; quando da renúncia de Jânio, gaúchos guapos crentes na virilidade daquele que cedo nos decepcionaria, me perguntaram os empresários, colegas o mesmo que tive de responder as inquirições dos da barbearia, cercando a cadeira deste paulista palrador sobre o que lhe parecia a boa política brasileira: “Che, nós estávamos preparados para marchar para São Paulo e garantir com vocês o governo Jânio...
E agora, lá naquele sul de gente viril, o Tarso! Que barbaridade, Che!
    Estou demasiadamente decepcionado para aceitar a paralisia dos velhos nesta nova quadra de minha vida. Quando jovem, imaginava-os sérios, graves, destemidos defensores de suas enormes proles! Nunca excogitei desistir da luta e agora em nada prezo a minha vida, seja porque estou velho e cansado, seja porque não desejo viver aquele arremedo de liberdade de minha juventude; seja porque essa olhada para o passado significa muito maior herança para eles do que valores que estivesse vendo naquele contexto. Transtornar este dissabor valeria muito mais do que a breve vida que “aqui e agora” tenho de reserva para viver.
     Para que tantos Partidos, quando a teta de todos é somente uma?
    E quantas siglas para nos afanarem!... Para citar só uma: PAC, programa de aceleração da cachorrada.