quinta-feira, 6 de março de 2014

CRÔNICA

Notícias de Jornal
Carlos Mendes

              Transformações chegam sempre atrasadas para quem se acomoda em estado imutável.
           Já os apressados são contagiados pela velocidade, pois não concedem tempo ao tempo do modernismo manifestar-se, pelo que procuram diariamente nas notícias de jornais o que amanhã será o devir do que ontem aconteceu.
                Menos tensos são os que “vivem a ler novelas, descuidados no vestir”1
              Este terceiro grupo não consegue notar a presença do modernismo, senão depois que os seus usos e costumes caducaram, pois, naturalmente, faltaria aos seus significativos a noção dos novos alvos que a frente se apresentaram e que poderiam alcançar, se os percebessem.
               Notícias de jornal são tratadas diferentemente por cada um dos grupos acima mencionados.
            Para os apressados, as notícias se tornarão rapidamente perecíveis, se o que conheceram ontem volta hoje a circular.
            Os menos tensos perenizam relativamente mais as notícias de jornais. São como os poetas e artistas, que preservam o belo e os pensamentos doutrinários do vasto saber humano no presente, pois não descartam o que podem, amanhã, transformar em criações que despertem novas sensibilidades estéticas, muitas vezes somadas à criações de estudiosos de outras áreas. São os que desprezam o tempo na busca do novo!
         E os pensadores? Estes dominam como ninguém o “in fieri² dos ciclos históricos e  toda a produção do novo, nas voltas sobre antigas formas do pensar o homem, a vida e o mundo.

(1)”vivia a ler novelas, descuidada no vestir" (Bessa Luís, SF, 102);
(2) Em devir (D. Im Werden), em vias de transformação. Diz-se daquilo culo pensamento envolve uma alteraçãp contínua. Os escolásticos diziam no mesmo sentido  (GOCLENIOS, V a, 226B)


quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Crônica

O que remiria minh’alma

                 Carlos Mendes

Os viventes no auriverde torrão alienaram o que não podiam deixar escapar.
Ao falar assim eu penso em um bem significante e com tanta clareza esquadrinho o seu alto valor, que “se não o vejo e o espírito o afigura”(1) conformar-me não posso com os olhares postos nas dedicações estranhas ao meu preferido interesse.
Aurifulgente pepita de quilate inexcedível é a honra. E que outra virtude a excederá?
Mais pareço um desvairado ao ver, inconformado, o que acontece com as preferências do meu povo brasileiro. Ele ama-se acima da estima de um patriota pela sua nação. Faz de ventos sua azenha; está sempre “no mundo da lua”, enlouquecido pela inútil fama pessoal, alienação e angústia girando como calidoscópio num visor de fama pessoal, que tirado do olho atento aos movimentos dos desprezíveis vidrinhos produzindo brilhos coloridos como se safira fossem, nada mais deixam à vista senão a realidade de um tubo enganador.
O que redimiria a minha alma, devolvendo-lhe as antigas querências, pois, como gado doméstico eu permaneci prazerosamente sob boas tutelas paternais? A vida boa familiar se apegava ao sentimento anunciado nas capas dos cadernos escolares onde pela primeira vez eu li: “a pátria é a família amplificada” (2), frase que testemunhava das amizades com os vizinhos sentados em bancos postos juntos às cercas fronteiriças das propriedades e para onde se achegavam os visinhos, às vezes da quadra inteira. Naqueles bancos comunais arranjados com alegria por quem à rua aparecia primeiro, sentavam-se visinhos doutores, pedreiros, motorneiros, funcionários públicos!...
Essa gente antiga devia agora ressurgir para levar-nos em passeata até os palácios dos poderosos, que poder receberam dos nossos votos. Dona Prazeres, certamente levaria consigo a sua vassoura de palha e a meteria nos fundilhos dos ladrões que roubam o erário e envilecem a nossa estremecida pátria.
Ela não ficaria apenas falando bonito, o quem nem sabia fazer. Mas a sua vassoura muitas vezes falou mais eloquentemente do que todos os famosos discursos dos empolados oradores de hoje, fustigando com ela os fundilhos dos filhos malandros, que com este expediente de mãe responsável aprenderam a ir no horário para as escolas e, mais tarde, para o trabalho de onde tiravam o sustento digno para suas próprias famílias.
Caminhar sobranceiramente é nosso dever, pois a gloria pessoal redunda no fastio de nós mesmos. E perto estamos de nos enojarmos de nós mesmos, pois há muitos com injustificável poder a humilhar-nos até a infamante condição de escravos.
Antes preferisse à fama passageira do assinar reportagens ocas, o caminhar nobremente junto a outros, tangidos como eu pelo ideal da entrega cega, olhos tapados para o promíscuo luxo da fama e do reconhecimento de valores individuais.
(1)Manuel Bandeira
(2) Rui Barbosa
  


quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

ARTIGO: ACORDA BRASIL

Vamos evitar que o Brasil assuma Cuba e Venezuela, ou não?!


Reflexões de um contra-revolucionário

Réquiem aos inocentes úteis
Carlos Mendes

Pequeno Dossiê
BRASIL
Anos de Chumbo
Segundo escreveu o amigo Walter, passando-me a matéria abaixo, que “circulou numa revista de pouca circulação”; uma ironia, com certeza, pois há um “lay-out” da Revista Abril e citações de publicações em jornais nacionais de grande circulação:
“Quando na sexta-feira 13 de dezembro de 1968, o presidente Costa e Silva aprovou o Ato Institucional número 5, acabando com o que restava dos direitos civis e dando carta branca à repressão, muitos jovens ganharam o motivo que lhes faltava para pegar em armas. “A partir desse momento a luta armada se apresentou como uma alternativa razoável” afirma a historiadora Beatriz Kusbnir, diretora do Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro. “O golpe de 64 me despertou para a política. E o AI-5 me levou pra a luta armada”, resume o fotógrafo carioca Paulo Jabur, que entrou para o MR-8 em 1969.”
No Brasil formou-se um divisor de águas entre os ideais gramscistas e o da democratização do país, isto ante um desafinado contraponto revolucionário inspirado por “Sierra Maestra”, este, “acabando” por apaixonar os seguidores do psicopata Jânio Quadros e o seu vice, João Goulart.
Esse divisor, para mim, apresentou-se com clareza meridiana, pois há uma experiência pessoal que vivi entre 1955 a 59, que em 1998 ganhou algumas páginas no capítulo V de minha auto-biografia romanesca: “Bacia do Macuco”, capítulo que recebeu o título: “O quebra cabeça”. E esta experiência pode ser entendida como um “insight” igual ao que ocorre na experiência psicanalítica. Algo que, estando tão somente a nível inconsciente na mente, especuladora e sofredora enquanto não iluminada pelo fato inquietante que nela flutua, incognoscível, com seus contornos quase indefinidos querendo revelar-lhe a forma.
Esse penetrante, incitante e inquietante desafio eu passei para os leitores da autobiografia que escrevi (ainda disponível economicamente em caderno grampeado).
O insight trouxe-me grande ganho psicológico, pois me ajudou a compreender, creio que tão bem quanto o insigne Castelo Branco e seus aliados ideológicos, entre eles o grande mineiro e democrata Juscelino Kubitchek, onde nos levaria as inflamadas preferências de Jango, manipulador de elos nos discursos de líderes sindicalistas da classe trabalhista, todos, à época, inspirados por Sierra Maestra. Milhares, senão milhões de circulares entravam no Brasil principalmente pelos portos de Santos e do Rio, vendo-os eu, pessoalmente, serem distribuídos entre os petroleiros e petroquímicos, em Cubatão. Essas distribuições, e os discursos concorrentes para o mesmo fim: “Revolução Comunista” eram instrumentos insufladores distribuídos e discursados pelas agremiações sindicais surgidas em função dos poderosos nichos de trabalhadores especializados que os setores automobilístico e petrolífero exigiram nas décadas de 50 e 60.
Afirmo em função destes fatos históricos, que vivi pessoalmente entre uns poucos milhares de técnicos-químico-  operacionais especializados, tendo eu pertencido ao primeiro quadro dos que colocaram em funcionamento a Refinaria Presidente Bernardes, em Cubatão, primeira a entrar em funcionamento no Brasil, em 1955.
 Afirmo também, que já existiam estratégias muito bem planejadas por líderes comunistas preparados para alinharem, à nível de confederações, a união desses novos e promissores setores da economia brasileira, como planejamento do golpe comunista-castrista no Brasil, a partir de Cubatão e capital do Rio.
Em Cubatão, coube-me proclamar, e liderar em 57/8, uma justíssima greve geral entre os petroquímicos, primeira centelha reativa do golpe de 64, afirmo-o com toda segurança.    
 Juntando-se a tudo isto, alinharam-se ainda militares das classes subalternas, que em 1964 encamparam os ideais daqueles novos líderes sindicais, fortalecendo, assim, a persuasão ao engajamento das forças políticas dos fautores da ideologia comunista no Brasil.
Mas os atores do romanesco Fidel, autor de um tema ultrapassado, que só o insano de “Sierra Maestra” quis continuar reapresentando, isto já às vésperas de a Rússia tirá-la de cena. Mas essa peça surrada, sem outro público para assisti-la senão os que lá em Cuba eram obrigados a exaltá-la apaixonadamente por Castro, tinha como expectadores alguns brasileiros bem medíocres como expectadores nesse palco burlesco chamado Brasil, e nós vimos nas décadas subseqüentes a de 64 a reapresentação dessa peça de mau-gosto, e surrada, ser repetida sob inspiração gramcista, a cuja representação juntou-se posteriormente o palhaço que o público do “circo Brasil” elegeu por duas vezes para presidir nosso país.
Duas décadas depois, a frustrada reivindicação de 64, ganhou palcos para representação do que então viraria uma retumbante “palhaçada”: Sindicatos de Classes Operárias que, em função do real desejo de seu “palhaço-mor”, jogou dezenas de milhares de seus adeptos nas piores periferias do Grande São Paulo! Perderam as lindas residências no ABC para cobrirem as perdas dos grandes salários, os quais foram conseguidos como massa de manobra entre o Lula e os capitães das empresas, que precisavam urgentemente fazer suas multinacionais entrarem na era do CQT.[1]
Mas o palhaço também era um patife, Ele negociou greves com os competentes diretores das multinacionais da Via Anchieta e de todo o Grande ABC.
A truta, que ambas as partes (empresários e pelego de ambição desmedida) ganhariam para dar ensejo à custosa dispensa de grande quantidade de mão-de-obra especializada para as empresas entrarem na era do CQT, que ofereceria às empresas elevadas performances de produtividade que poderia em breve tempo chegar a trezentas vezes mais e, ainda, uma fantástica diminuição nos gastos fixos relativos aos altos salários das dezenas de milhares de funcionários especializados demitidos, só na Volkswagen.
Ganhou o Lula, que embolsou considerável fortuna para si e párea o PT nas negociações das dispensas dos operários especializados. Ganharam as empresas, cujos capitães sorriam a larga com o formidável ganho do CQT[2] vendo os bobões aduladores dele, ufanoso “grande líder”, que aproveitava a ”nova era” para, outra vez, enriquecer e fortalecer-se politicamente, até ganhar seu primeiro pleito a Presidente da República brasileira.
Inaugurava-se a era do PT, com apresentações ao vivo por redes de televisão, explorando o ganho da popularidade que a Grande Mídia oferece.
Essa massa difusa, hipócrita e insensata que hoje dá ibope a quem interessará? O tão propalado “mensalão” é como “trocados” em função do que vocês: enganados e expoliados perderam e nos fazem perder.
Diríeis que ganhou o parque industrial, que enriqueceu-se, ensejando a riqueza nacional... Pois sim! Não vês, ó cego petista que o teu país continua essencialmente sendo sustentado por uma economia quase que essencialmente agrícola?
És cego para ver quem enriquece? Não sentes em tua própria pele (e na dos teus filhos) que tu e teus irmãos empobrecem sempre mais?
Não és capaz de ver que até mesmo os Estados Brasileiros do sul, que sempre sustentaram a nossa nação, empobrecem?
É burro, ou demônio como os teus líderes petistas?!...
Pusestes a batuta do nosso país nas mãos de um “cachaceiro”! Não tenho nada contra os viciados em cachaça, desde que não se metam a querer governar o que quer que seja. Se tu fores um cachaceiro, apesar de seres  “cara” com estudo, com honestidade me diz, estando tu embriagado: Podes dirigir se quer um carro? E o que me dizes: “Uma nação” com 200 milhões de habitantes?! Achas mesmo que foi o Lula o governo do teu país? Te digo, foram os malditos “mensaleiros”: o safado do Dirceu e outros da estirpe dele que governaram. Governaram inclusive o Lula!
Não és capaz de calcular o mal que fizeste a ti, a teus filhos, mulher ao te apaixonares por um político safado, que com oito anos de trabalho na Volks deixou o torno corta seu dedinho mindinho, pois a lei trabalhista lhe garantia aposentadoria integral por invalidez! Invalidez! Por um dedinho cortado!
Aos meus 82, começo a ser prejudicado, isto depois de uma longa carreira como empresário, que pagou impostos, aposentou a muitos, como eu, só que, como eu, estão vendo suas aposentadorias, ganhas por longos anos de trabalho (eu aposentei com mais de 40 anos de trabalho), não representarem quase nada em relação ao valor original
Quiseram, recentemente, trazer de volta ao palco as apresentações aterrorizadoras da peça comunista que inspira temor, quando tentaram montar a peça gramscista. Mas se ainda não vimos sua apresentação acabada, por outro lado continua sem ser conhecida a peça democrática, que tantos deleites libertários derramam sobre povos protegidos por esse sistema de governo ideal, se construído por povo e governo leais a seus preceitos.
Ligando eras políticas da década que se seguiu a partir de 1955, vimos os adolescentes daqui preparados ao engajamento na militância comunista. A pregação dos grandes líderes sindicais, devidamente catequizados por “Sierra Maestra”, infiltrou o discurso castrista como uma contra-cultura política nos costumes civis dos nossos jovens, incitando-os a uma contra revolução comunista, acintosa posição que, dez anos mais tarde  tentava impor-se contrariamente ao golpe militar de 64, que Sierra Maestra sabia, sim, ser mortal aos sonhos de expansão de sua frágil doutrina onde a esquerda - mais um ponto divergente da doutrina capitalista de Fulgêncio Batista do que uma noção sábia para a necessária reforma política do sistema -, certamente não totalmente recomendável ao nível de uma boa convivência democrática.
Assim, muitos dos nossos jovens se perderam para os ideais de liberdade ao se engajarem numa ideologia totalitária. Cruel paradoxo!...
Réquiem a estes inocentes úteis, que sem saída possível depois do engajamento, foram ceifados ainda jovens pelo confronto armado contra outra ideologia totalitária pós-castelista, a qual se justificava pela necessidade de um contraponto impositivo, que nada tinha a ver com a questão: Comunismo ou Democracia.
Carlos Mendes
Escritor e poeta; ex-colunista dos jornais “Correio do ABC(1996/97) e da seção cultural dos Sete Jornais de Bairro em Mauá(1997/98). No ano 2.000, escreveu a apresentação ao projeto “O Brasil e a Mídia”, que o MINC colocou na Galeria NO  TREE, em Berlim.    



[1] Você, petralha, não sabe o que é? Procura um mestre da FAAP que ele te conta! Não duvido que depois de saberes continues PTista! Tua paixão embota o teu entendimento, e o teu país vai pra m...
[2] CQT – Controle de Qualidade Total.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Crônica

A Revelação©
Carlos Mendes


    Lépido, ele subia os degraus da escada quando a perna vergou depois de uma fisgada no joelho. Achou que era um sintoma de artrite. “Mas artrite é doença de velho”, pensou discordando do auto-diagnóstico. Completou a escalada, entrou em casa e foi direto mirar-se no espelho do banheiro para confirmar a suspeita. “Hum... que artrite qual nada!”
    Passaram-se uns poucos anos de boa forma mental e física e ele esqueceu o incidente. Num belo dia acordou de madrugada, no final do filme da “Sessão da Madrugada”. Opa! já é três da madrugada. Não consegui ver todo o filme e a sessão da madrugada já está terminando. Onde é que vai a energia que me mantinha acordado às sextas? Levantou-se da poltrona e foi para o banheiro. Acendeu a luz e deu uma boa olhada no rosto. “Caramba! Não é que estás parecido com o teu velho pai na idade em que ele não agüentava mais passar das dez da noite?”, indagou da fisionomia refletida no espelho, convencendo-se que não entrara precocemente na terceira idade. Mas ficou desconfiado. Lembrou das fotografias que o genro tirara recentemente, quando da reunião familiar no último Natal.
 Pegou as fotos, levou-as para o banheiro. Ele vestia uma camiseta cavada, e na medida em que comparava-se, postado diante do espelho, a sua aparência em relação a cada uma das fotos, viu que numa delas aparecia o seu primeiro genro, reparando que ele  o já possuía algumas cãs. Depois descobriu a neta mais velha posando ao lado do marido.
Mirou-se no espelho e viu as pelancas caindo de seus braços. Era um velho olhando agora para os seus próprios olhos. Começou um diálogo com o espelho: “E por que não percebi isso antes?”. Então assumiu que aquela nova aparência resolvera-se aos poucos sobre ele, igual ao vai-e-vem da maré que apaga as inscrições sobre a areia molhada da praia: “Foram-se todos os vestígios da mocidade!”, concluiu finalmente e sorriu tentando ser cômico e zombador daquela imagem à sua frente a mover os lábios no falar as mesmas palavras. “Não olhavas para o teu próprio rabo quando comentavas sobre o envelhecimento dos ostros!...”  
Examinou novamente as fotografias do último Natal e depois encontrou outra, tirada há sessenta anos atrás, quando ele era então um garotinho como os dois netos mais novos que agora contemplava numa foto mais recente. Ela era colorida e ele comparou-a com uma outra em preto-e-branco, totalmente amarelada pelo tempo. Suspirou ao pensar que no futuro também nos seus netos desapareceriam os vestígios da meninice, depois os da mocidade, e, por último, da faze áurea da geratividade, que ocorre antes daquela velhice insolente a refletir-se no espelho. Largou as fotos e voltou a encarar, sisudo, sua imagem no espelho. Depois alargou um novo sorriso, agora carregado de paz e  voltando a falar com a imagem, disse-lhe: “Devias ter começado a contagem regressiva há vinte e sete anos atrás, quando começaste a demandar o céu onde Jesus foi preparou-te pousada eterna”. Sentiu sono ao gozar a paz desse reconhecimento e despedindo-se da imagem lhe disse: “É coroa!... Menos um dia para a partida!”.
Foi deitar-se e dormiu sorrindo o sono da eternidade.


©Carlos Mendes

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Três grandes expressões e uma única verdade

Da Poética à filosofia, e desta à Teologia Bíblica
                                                                       Carlos Mendes

Inclinação aflitiva tangeu o meu humor,
E como tormento sem razão aparente,
Surgiu das profundezas de minha alma,
Maligno, e também mui dolorido tumor,
Do inconsciente extirpado muito rente,
Ficando então em bem estar e muita calma

A pensar, zeloso, como entender isto?
Ponderando fato tão enigmático,
Saldei o encontro que me levou, então, a Cristo,
Fato inédito, que prostrou-me, estático,
Ao ouvir a voz de quem me disse isto:
“Tu és meu”, ouvi o dito entusiástico.

Dor respondendo à procura do bem-estar.
Prazer, sobrevindo ao desconforto da dor,
Como entender esses reversos afetivos?
Dos desejos prazerosos, o descoroçoar.
Da desilusão, o benefício do amor.
Da perda, os inesperados completivos

Emoção é choque brusco, inesperado,
Traduzindo afetividades tão estranhas
Quando chegam por nosso próprio desejar.
Melhor quando chegam do nosso Bem-Amado,
Senhor Onipotente, que sem barganhas,
Sabe bem o que convêm ao nosso Bem-estar! 



GLOSSÁRIO, Conf. Vocabulário Técnico e Crítico da Filosofia André Lalande

AFETIVIDADE –              A. Característica dos fenômenos afetivos[1]
B. Conjunto desse fenômenos

1 AFETIVO Designa a característica genérica do prazera, dorb, e das emoçõesc chamadas freqüentemente como “estados afetivos”, “tendências”.

EMOÇÃO – Choque brusco, tantas vezes violento, intenso, com aumento ou parada dos movimentos: medo, cólera; o apaixonar-se.

a Alegria; satisfação; gozo.
         b Tormento moral ; aflição, remorso, arrependimento
      c Emoção significa, etimoloicamente, alguma coisa a mais do que movimento: é o movimento que faz alguma coisa sair do seu lugar, ou pelo menos do estado em que estava anteriomente.




[1]