quarta-feira, 16 de outubro de 2013
domingo, 13 de outubro de 2013
Lembranças...
Lembranças vivas do “Ricardinho” e de
uma morte em vida
Passou por nossas
vidas como alma sublimada em espelho de felicidade transcendental. Mas, amiúde
o corpo a violava impondo sofrimentos àquele anjo.
Era este o meu falar
referindo-me ao sobrinho velado ante outros tios ali presentes, conversando
durante o velório entre choros e fungares comoventes.
E prossegui ante o
vazar das lágrimas e os fungares: Sua alma se deleitava com as chineladas
corretivas aplicadas com imparcialidade pela mãe nos bumbuns tanto dele, anjo
excepcional que Deus nos dera, quanto do irmão mais velho, já cursando os
últimos anos de boa faculdade de engenharia.
Estas ocorrências,
retratando os sentimentos elevados que de comum se cultiva em famílias estáveis,
onde o amor filial sobreleva-se a hipócrita questão: “que tenho eu a ver
contigo”, me fez lembrar de um reverso fulgurante não merecido por todos, se
uma força compacta e poderosa não nascesse da união puramente fraternal!
Um dia perquiri
desse sobrinho ainda vivo, seus pés alargados, quase duas massas como que
achatadas e quis saber a razão daquelas deformações!
“As vezes as dores
que suporta são tão agudas e prolongadas que ele se auto mutila!...”
Minha compreensão
dilui-se, lacrimosa! Não pela perda, mas pelo achado, embora em ambos os casos costumemos
ser compungidos, parece que pela mesma perda, visto conformados com um vazio
sepulcral. Um, de separação temporária, pela morte. Outro pelo rompimento,
ainda em vida!
É quando a
dor da descoberta que nos leva a julgar que nem todos parecem provindos dos
mesmos pais, que ocorre decepção do descobrir que alguém
quebrou, no próprio sangue, a hierarquia de amor que constrange as almas ao
respeito dos sagrados laços de consangüinidade e fraternidade responsável!
Somos abençoados nas
benditas lembranças, quanto amaldiçoados nas decepções que o “outro que não eu”
da mesma genealogia nos lança em rosto.
Carlos Mendes
13
de outubro de 2013
quinta-feira, 10 de outubro de 2013
Roteiro de um novo romance
Meus
amigos e apreciadores de histórias romanescas.
Apresento-lhes
roteiro do novo romance que estarei trabalhando a partir do final deste ano, se
Deus o permitir.
Carlos Mendes
10 de outubro/2013
Introdução
381 DIAS DE SAUDADE, VINHO, MULHER E GUERRA
Carlos
Mendes
Acabo de ler o Diário de
um Expedicionário e por ora só atribuirei ao sujeito da autoria a designação
“Expedicionário”.
É, com certeza, um
projeto literário que oferece à leitura duas oportunidades a quem o escreveu:
ser a memória póstuma dele mesmo, provável expedicionário tombado em combate,
ou então uma declaração jubilosa num “Gran
Finale” apoteótico que se prestaria
a saudar o final da 2ª Grande Guerra Mundial, o que o seu autor acaba
construindo antes de escrever o entusiástico “FIM” com letras maiúsculas,
negritas e garrafais, antecedidas pelas palavras: “Chegamos aqui no Rio de Janeiro no dia 18 de julho de 1945. Então
fechei para sempre o meu diário”.
Nesta nota de
encerramento, escapa o alívio da tensão opressiva que subjugou o expedicionário
durante todo o tempo em que permaneceu em combate, sob o clamor de uma
esperança que o Hino do Expedicionário lhe ensinara: “Não permita Deus que eu morra, sem que eu volte para lá”.
A priori e sem o detido
exame de escritor desafiado a pinçar as muitas cenas onde imperaram as tensões
da alma do expedicionário, ao fazer aflorar o drama íntimo que ele viveu,
poucas coisas me são permitidas adiantar sobre o muito que o diário pode
oferecer às especulações de um Roteiro de Literatura, tarefa que certamente não
alcancei totalmente. Mas eis o que posso escrever no momento:
A temporalidade histórica
do “Diário de um Expedicionário” é chocante!
Ribeirão Pires, 15 de
fevereiro de 2005.
Roteiro
Ainda não conseguiria
dizer se existem originalidades neste “Diário de um Expedicionário”, que acabo
de ler. Por indicação de um funcionário da Livraria Cultura, visitei um site
por ele recomendado e descobri que existem muitas obras escritas por
ex-pracinhas da FEB, publicadas pela editora e, entre essas obras, um grande
número de diários, tudo disponível na livraria. Se não indicar as costumeiras
práticas comerciais inescrupulosas de editores, a informação será alvissareira[1].
O estilo do diário já
fazia supor a existência de muitas outras obras do gênero. Nele eu li registros
que devem ser próprios do tensivo foco narrativo de obras do mesmo gênero, e
creio mesmo que foram muitos os pracinhas que se entregaram a essas anotações
sistemáticas dos fatos rotineiros na vida dos combatentes que se enfrentaram em
terras européias, e isto desde o primeiro dia em que ocorreu o traumático
recrutamento e durante todos os 7 ou 8 anos de duração da 2ª Grande Guerra
Mundial.
Mas posso aventurar-me a
localizar pelo menos duas originalidades no trabalho literário do Diário que eu
li. Primeira, o estilo poético que consegue tocar profundamente a nossa
sensibilidade artística, e, segunda, a evidência de uma persistência linear no
espaço e no tempo, sem hiatos entre os registros dos fatos que fazem nele
despontar uma percepção aguda da elevada possibilidade do seu autor tombar em
combate, o que ele repetidamente comenta diante do que me parece a resignação a
que se entregou ao afirmar diversas vezes: “A guerra é assim mesmo” e ela se
ganha com o cumprimento do dever cívico do cidadão; da necessidade que ele
sente de conviver com o mais agudo desconforto pessoal e com o resignado
destemor perante a morte, pois cumpre ser corajoso diante disso tudo, já que
nos dois lados do fronte campeiam os mesmos horrores do trágico fim a que os
combatentes estão sujeitos . Por isso convém rezar para que a vitória lhe seja
dada, pois se a recebe, recebe-a em vida.
O diário é um registro
linear e sistemático de fatos que colocam o Expedicionário na tênue esperança
de voltar para a pátria amada, sentimento toldado pela angústia do forte
sentimento contraditório: “Acho que não voltarei”, o que o leva a rezar para
voltar entre os vitoriosos, como lhe ensinava a letra do Hino do
Expedicionário: “Por mais terras que eu percorra, não permita Deus que eu morra
sem que eu volte para lá (...)”.
E a capacidade de passar
ao leitor as suas incertezas incomodantes e angustiantes, me parece, portanto,
a grande originalidade do autor, o que confirma a convicção de ter feito a
leitura de estados emocionais que a capacidade de ser poeta introjeta no leitor
como uma identificação de objeto com os estados psicológicos do autor.
Outro destaque a nomear é
a técnica dos registros em alinhamentos cronológicos e sistemáticos dos fatos
pontuais do Diário. Ela nos ajuda a deduzir o que deve haver de
particularidades adotadas na esquematização de um longo período de preparação e
treinamento dos combatentes até a culminância do ser combatente preparado para
enfrentar o “batismo de fogo” numa 1ª linha de combate, metaforicamente o “ver
a cobra fumar” alusiva à bandeira dos expedicionários brasileiros. E isto o
Expedicionário faz sem entrar em detalhes daquilo que talvez nem conhecia
tecnicamente. Talvez, sem o pressentir, ele entrou no esquema do que Jhon Rawis
entende por “véu da ignorância” e foi colocado na posição de peça de combate
sem conhecer essa posição que assume na vida real. E da maneira como escreveu,
o Expedicionário nos faz caminhar passo a passo com ele até nos inserir na
guerra como combatentes sujeitos às mesmas vicissitudes psicológicas que ele
enfrentou pessoalmente.
Talvez o combatente tenha
sido preparado para a missão guerreira diante do véu da ignorância. Vem em
primeiro lugar o reconhecimento de que “a pátria é a própria família,
amplificada”, como Rui Barbosa já propusera no século 19. Então salvar a pátria
é fazê-lo em nome do amor à família, fato é que em todas as guerras o
recrutamento de recursos humano se dá no seio de famílias estáveis, donde o
apelo do Expedicionário à conformação da estremecida mãe que tivera o seu filho
escolhido para a missão patriótica. Durante o tempo que mediou entre a escolha
em 1941 e o embarque em 1944, há uma prolongada preparação militar; há a
conquista de uma noiva, talvez um símbolo de prêmio antecipado e de honraria
nunca dantes sonhada, pois, afinal, é um expedicionário brasileiro e vai fazer
parte de uma força que se propõe resolver um conflito armado por um louco que
desejou conquistar o mundo todo.
Durante a viajem há
anotações que nos dão conta de uma tensão crescente que é evidenciada por uma
solidão pessoal interior, da qual as imensidões do mar e do céu são
dissertações paradoxais do que até ali entendia por seu mundo particular,
íntimo e afetivo. Ele conta os dias; adianta o relógio para situar-se nos novos
fusos horários; reconhece-se diante de uma trilha nunca dantes percorrida e
essas tensões eu entendo como um novo e cruel condicionamento psicológico do
combatente que, assim, vai tendo cortado o cordão umbilical que o liga à
pátria, à mãe, à família e à noiva, das quais se apartou sem dar-lhes notícias
(?). Há uma hipérbole na idéia impactante de um lugar neutro onde o
Expedicionário se internará por tempo limitado e que terminará com a sua volta
ou com a sua morte: a guerra.
As distâncias são
contadas do local onde ele se encontra para o destino a que o leva a sorte
incerta e esta contagem aumenta a tensão e produz suspense em quem lê o diário.
A sua nuca está voltada para a pátria, tão presente na recordação quanto o
campo de batalha está no objetivo, pois é necessário estar logo nessa guerra
para saber logo se sairá dela com vida: “Mal se chega à festa e logo se fala em
voltar”, registra o expedicionário a sua aguda expectativa.
A chegada a Nápoles
coloca-o na região do conflito. Mas essa sensação de desconforto é atenuada
pela distância a cobrir até as regiões onde as escaramuças estão acontecendo.
Já próximo do fim da guerra, quando o inimigo enfraquecido contrai o seu campo
de luta pela retirada dos seus efetivos, é que o Expedicionário começa a “ver a
cobra fumar”, e então ele registra no seu diário a capitulação de um soldado
alemão acossado pela fome, dando-nos conta das trágicas conseqüências da
belicosidade de Hitler, figura de tantos outros loucos tiranos anteriores e
posteriores a ele.
Mas o Expedicionário está
um pouco adiante de Nápoles, apenas adentrando a área do conflito e assentado
em seu primeiro acampamento onde a “vida boa” é creditada ao vinho e às
italianas. Registra então uma primeira notícia preocupante: Nápoles acabara de
ser bombardeada. “Escapamos por pouco” escreve ele, talvez fazendo o registro
de uma notícia que outros soldados escreveram nos seus próprios diários bem
antes dele... Conjeturo se não seria esta uma estratégia psicológica usada no
preparo das novas forças que seguiam para as linhas de combate e que ainda
treinavam para o cruento enfrentamento. Aprendendo a matar, os pracinhas
brasileiros também eram preparados para morrer.
Para mim, o Diário do
Expedicionário revela o véu da ignorância como pedra de toque no preparo dos
combatentes. Afinal, são poucos os marechais e generais deste mundo louco a nos
enfiarem nessas atrocidades chamadas de guerra, absurdos contra-sensos em forma
de terrorismo e de conflitos outros que nos são dados enfrentar por causa da
nossa incapacidade de construir paz duradoura. O Expedicionário, talvez sem o
saber ou talvez por suprema elevação de espírito, desvenda a face cruel desses
planejamentos nos altos gabinetes políticos, que só pudemos conhecer pelos seus
registros carregados daquela gravidade que deveria governar as atitudes dos
homens. Afinal, nascemos entre humanos e não entre bestas-feras, penso eu lendo
as páginas do “Diário de um Expedicionário”, o que me parece o relato íntimo do
drama psicológico que todos os combatentes enfrentam.
Voltando às distâncias,
ao correr do tempo, registros feitos com modéstia no Diário do Expedicionário,
com aquela modéstia dos simples amontoados de documentos, por oposição ao
trabalho de sistematização, como Aristóteles já o preferia nos estudos historiográficos,
conjeturo sobre a arte de fazer guerra envolvendo nela “os outros que não eu”.
Conheci que os soldados eram colocados na frente de
batalha e, se dela voltavam, ficavam algum tempo gozando a “vida boa”. Em todas
as frentes. Em todos os agrupamentos, fossem os quatro homens do
Expedicionário, fossem os dois sargentos, e assim por diante até aos oficiais
que operacionalizavam as técnicas da guerra no campo de batalha. Os navios
chegavam constantemente carregados de combatentes e isto durante todo o tempo
em que a guerra durou, e no registro deste fato o Expedicionário abre a janela
de sua alma e nos faz espreitar o que nela está inscrito sobre isto. Os navios
traziam constantemente peças humanas de reposição para o seguimento do combate.
“A vida boa” é um fato sem comentário adicional do guerreiro e escritor que, na
solitude da alma é mais este do que aquele. Não declara a “vida boa” como o
faria o psicólogo. Numa elevação de espírito própria de um poeta, o combatente
não esclarece a conclusão como aquele o faria. Subliminarmente ele nos permite
a passagem entre ela e o combate, e como poeta transmite a misteriosa
comunicação, inscrevendo-a na alma do leitor que descobre nesse viés culto a
“vida boa” como o ópio dos guerreiros. O Expedicionário me fez lembrar do
prêmio consentido por Maomé aos seus guerreiros, deixando-os se apropriarem de
vinte por cento dos despojos das nações vencidas, ópio dos cobiçosos!...
A “vida boa” do
Expedicionário resumia-se ao vinho italiano, que no Brasil jamais bebera com
tanta regularidade, e as italianas. No vinho ele encontrava a embriaguez que
anuviava as lembranças que ele justificou no discurso final do seu diário:
“Procurem compreender-me”, proêmio do poema “Sorrisos”, que escreveu como
apêndice. Eu creio que ele queria ser percebido desta e daquela forma e só Deus
saberá se assim lhe fizeram ou não. Compungido eu aprendi que a guerra produz
marcas profundas na alma dos combatentes e bem pode a mente construir o
purgatório das culpas de responsabilidades assumidas em nome de uma mera
construção histórica chamada sociedade humana.
O “Diário de um
Expedicionário” merece um Roteiro de Literatura mais extenso, que favoreça
outras múltiplas leituras presentes no seu texto.
Carlos Mendes
Escritor e poeta. Autor de romances, tais como: “O Milênio e o Tempo”,
“Os Pregnantes”e “Observatório do Inferno”
[1]
Posteriormente este autor fez sua
pesquisa, pelo que pôde emitir a afirmação feita na introdução.
terça-feira, 8 de outubro de 2013
sábado, 5 de outubro de 2013
sexta-feira, 4 de outubro de 2013
quinta-feira, 3 de outubro de 2013
|
“Soldados perdidos de arma na mão. No quartel lhes ensinam antigas lições.
De morrer pela Pátria e viver sem razão”
Geraldo Vandré.
|
CARTA À GERALDO VANDRÉ
Eu sempre gostei da arte... / Da música e do violão! / Por isso peço atenção / Ao pobre e singelo aparte /
Que mando cá desta parte / Ouvindo a tua canção / E julgas, pelo teu lado, / "Perdidos de armas na mão..." / Do fundo do coração / Que fala sobre os soldados /
E vendo a toada bonita / Que deste ao Maracanã / Não pude ficar teu fã / No meio de tanta grita, / Pois eu conheço a desdita Ao longo desta Nação / E sei que as armas na mão / Não andam sem resultado. / Bendigo todo o soldado / Que cruza o nosso torrão.
Não vi soldados perdidos / Na vastidão deste chão, / Se existem armas na mão / Também existem bandidos...
Gente que perde o sentido / Banhada em tola vaidade / E muito cedo se invade / Por cantilenas descrentes
Falando em nomes de gentes / Que nunca viu de verdade!
Andei por vales e serras / Sertões, caatingas e matas... / Não trago o ouro nem prata... / Do fundo de tantas terras.
Fui muito feliz na guerra / E fiz gigantesca obra / A qual me deixa de sobra / Bom saldo na vida eterna
Pois trago a marca na perna / De três picadas de cobra...
Vibrei de emoção um dia / Ouvindo um primeiro trem / E a gente que o viu também / Chorava ali de alegria.
E em cada apitar sentia / O raio de nova aurora / Dos novos Brasis que agora, / Surgiam naquelas frentes
No meio daquela gente / Que sofre mais do que chora.
Levei à Amazônia as cores / Do nosso verde e amarelo / Fiz nosso Brasil mais belo / No passo dos meus tratores.
Semeei milhares de flores / Em terra vi gente nativa / Que a gente verde oliva / Pisava por vez primeira
Levando junto à Bandeira / Mensagem mais que altiva.
Semeei milhões de dormentes / Sulcando terra brasileira. / Fiz coisas que na verdade / Nem eram para um tenente! /
Fiz partos e arranquei dentes... / Dei aulas, semente e pão. / Do povo - fiz a Nação /
E agora vem um Vandré / Dizendo que é tudo em vão!
Por isso sem ter violão / Também fabrico protesto / Pois vejo neste teu gesto / Pobreza de coração... /
Que lança só confusão / No meio do povo inculto / Mas nada constrói de vulto / Olhando a tua Nação. /
Que te dá paz, luz e pão / Enquanto bradas estulto.
Que trazes junto contigo / Além do violão e o ouro?/ Cantando com tal desdouro / Quem nunca negou-te abrigo /
Quisera ver-te comigo / No fundo lá das fronteiras!/ Levando a nossa Bandeira / A terras de gente nossa /
E ver se ainda essa bossa / Ladrava dessa maneira.
Não temos velhas lições / No culto da tradição. / Pois ela forja a Nação / O povo das multidões /
Mas tuas fracas canções / Não sentem que esse argumento / É chama, é calor, é alento / É tudo nos bons ideais. /
Dos bons soldados leais / Que ofendes neste momento. /
Nação é povo idealista / Nação - é feita de ideais / Não são cantigas banais / Das folhas de uma revista /
Ninguém de pequena vista / Verá fundamento ou graça / Nas coisas que dão à raça / Sabor de grande Nação /
São coisas que o teu violão / Não troca pela cachaça...
Tu nunca viste outra frente / Sem ser a do castelinho / Por entre copos de vinho / Por entre uísque fluente.
Mal sabes que toda gente / "Perdidas de armas na mão" / É que te assegura o pão / De filho de papai rico
E evitam calar teu bico / De arauto da ingratidão.
Coitado de ti, meu filho / Que enterras um nobre alento / Com grito, sem fundamento / Que tanto ofusca o teu brilho /
Tu nunca viste em teu brilho / O pranto, a tristeza, a dor / Rodando em rico motor /
O sol lá de Ipanema / A praia do Arpoador...
Enquanto aumentas a prata / Na pompa dos festivais / Há gente boa demais / Lutando por entre as matas /
Levando vidinha ingrata / Sem água, sem luz, sem pão / Pregando a "velha lição" / Que aquilo é terra da gente /
E alguém precisa ir à frente / Porque milhares não vão.
Alguém precisa ter raça / Porque milhares não têm! / Alguém precisa também / Zelar por toda esta massa /
Antes que a voz da desgraça / Espalhe cantos bestiais / E à sombra dos festivais / Cultivem gritos de guerra /
Fazendo de nossa terra / Sepulcro dos bons ideais.
Por isso faz heresia / Quem julga velha lição / Que foi-me posta na mão / Nos bancos da Academia /
E hei de sentir um dia / De ver meu Brasil de pé / Embora vários Vandrés / Se ponham no seu caminho /
Tentando lançar espinhos / Nas flores da nossa fé.
As flores que não mataste / Quando pisaste sobre elas / Pois são mais fortes e belas / Que aquelas que lá semeaste /
As tuas nascem sem haste / Sem brilho, sem luz, sem nada / As minhas nascem douradas / Com muito mais fundamento /
Deixando as tuas ao vento / Na poeira da minha estrada.
Desculpa se de meu posto / Respondo como soldado, / Não pude ficar calado / Com tal ofensa no rosto /
Senti profundo desgosto / Nos gritos da multidão / E vi que as armas na mão / Não podem ficar de lado /
Bendigo a voz do soldado / Que faz de um povo - a Nação!
(Itajubá, MG.- 10-11-68- João Batista da Silva Fagundes - Capitão Engenheiro)
Palhaços iguais ao Vandré nos deram o Lula, este com dois documentos: um brasileiro e outro italiano.
“Soldados perdidos de arma na mão. No quartel lhes ensinam antigas lições.
De morrer pela Pátria e viver sem razão”
Geraldo Vandré
... Ou sem razão de ter pátria por ser um bobão, ou então um cagão contando basófia de valentão.
Palhaços iguais ao Vandré nos deram o Lula, este com dois documentos: um brasileiro e outro italiano.
Carlos Mendes.
Subscrever:
Mensagens (Atom)

