quinta-feira, 7 de março de 2013

Leitura que não se pode perder

http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=1233528

                                         De: Geraldo Duarte
                                         Advogado, administrador e dicionarista 



terça-feira, 5 de março de 2013

Artiguete

O Rabo da Jumenta


Março de 1971. Logo empossado chefe de gabinete da Secretaria de Segurança Pública, atendi a uma comissão de moradores do bairro Bela Vista. À frente, o padre Alberto Oliveira. Depois dos cumprimentos, o religioso expressou o objetivo da visita. Próximo ao templo da Santa Madre Igreja, instalara-se a Gafieira Rabo da Jumenta, "antro do pecado e da perdição". Instalada em prédio abrigando, na frente, um bar, no centro, um salão de dança e, nos fundos, quartos para utilização horária pelos frequentadores. Funcionamento diário. Da boca da noite ao raiar do dia. Amplificador de som, com cornetas irradiadoras fixadas no alto de um poste, dirigindo som ensurdecedor aos quatro pontos cardeais e ouvidos dos paroquianos. Devido aos críticos e inflamados sermões do vigário, vieram as represálias. Nas madrugadas, os notívagos satisfaziam seus intestinos e bexigas nas portas da casa santa, afora ações solertes de intimidação e vandalismo. Em sequência, falou a coordenadora da Liga das Senhoras da Paróquia de N. S. de Sallete. Comparou o local a Sodoma e Gomorra. Sinalizador do fim dos tempos. Desencaminhador de jovens. Incentivador de vícios e de prostituição. Além de outras e mais outras acusações que se sucederam. O rosário de queixas continuou com o presidente da Associação dos Moradores denunciando os fumadores de maconha, tratados por "esquadrilha da fumaça". O salão de danças, rala-bucho ou bate-coxa. O conjunto de cubículos para trocas de interesses íntimos, "matadouro". "Embuchamento" de moças, coito de vagabundos e ponto de fuampas mereceram acerbadas e indignadas críticas do autoassumido líder comunitário. Com repetidos acenos de concordância e aprovação, os demais acompanhantes mantiveram-se silentes. Finalmente, o pároco fez-me a entrega de uma pasta, contendo memorial e abaixo-assinado, requerendo providências contra o forrobodó. À época, Fortaleza não possuía motéis, somente cabarés e rendez-vous. Garanti-lhes averiguações e providências. Dias depois, chegou à comunicação do delegado responsável ao gabinete: "Esta autoridade fechou o Rabo da Jumenta".

Geraldo Duarte - advogado, administrador e dicionarista 

segunda-feira, 4 de março de 2013

Cronicando


Réquiem para um pardal

O dia amanhecera fulgurante como se o verão já houvesse chegado.
O velho acordou mais cedo e foi para o varandim saudar o sol forte e brilhante iluminando os pequenos montes arborizados que retinham as águas da grande depressão do terreno da represa que se abria na paisagem à sua frente. Espreguiçou-se festejando a boa disposição que voltava depois da fria primavera que chegava ao fim.
Chegara o tempo de desfrutar o conforto dos banhos e das massagens friccionadas pelos repuxos  que circulavam a água na piscina construída num outeiro quase ao nível do telhado da casa. Tirou das gavetas a sunga e a camisa de malha cavada e foi limpar e clorar a água. Antes de aspirar o fundo, peneirou a piscina e meteu toda a sujeira num saco plástico. Depois desceu as escadas e foi tomar o café. A passarada nos viveiros da casa vizinha começou a entoar trinados que lhe pareciam tristes. “Talvez seja o meu estado de espírito que esteja colocando tristeza onde não existe”, pensou o velho.
Preparou o café, a mesa com o pão, manteiga, queijo, frutas e tomou o desjejum.
Prestou atenção nos trinados sinfônicos das aves e concordou com a razão. Realmente eles tinham um tom de tristeza,  pensou tomando o último gole de café.

Levantou-se, foi pegar o saco com os detritos recolhidos e desceu a escadaria até a rua onde o depositou na lixeira.
Quando voltou a passarada cantava alegremente e ele então se lembrou do pardal que se afogara na piscina e que ele mantivera no saco enquanto tomava o café. Pusera-o em cima do muro que dividia o terreno com o local onde se encontravam os viveiros com a passarada bem cuidada que agora alegrava o restante da sua manhã ensolarada.  

Carlos Mendes

domingo, 3 de março de 2013

Artigo parenético


CONCEITOS, PRINCÍPIOS E CONTRADIÇÕES

Princípio não é só começo, mas também um bom ponto de partida para bolarmos coisas melhores a fazer.
Convivemos com pluralidade de objetos, onde se contam Deus, a família e a pátria, entre outros mais, e dentro de nós estão os objetivos. E tenho como certo que ser objetivo é saber casar bem as objetividades com as subjetividades.
Não é que eu queira ser moderno, como é costume definir as personalidades de nossos tempos tidas como rebeldes. A questão aqui é tentar comportar-me como pessoa prática, e isto no sentido de ser costumeiro, habitual e de praxe considerar tudo no mundo objetivo sob a ótica de minhas subjetividades.
Conheci um filósofo que concordou comigo, quando a essa inter-relação objetividade/subjetividade escreveu o seguinte, sob a ótica de certo tema teológico: "Todas as coisas existentes podem ser classificadas em dois grupos: O que está dentro do homem, e o que está fora dele. O que está dentro é o mundo subjetivo, e o que está fora, mundo objetivo. Naquele há apenas necessidades e poderes pessoais, sendo neste que nós encontramos a satisfação de todas as necessidades do mundo subjetivo. O segundo depende do primeiro para o seu progresso e este depende daquele para a satisfação das suas necessidades. A fé é o meio pelo qual estes dois mundos se ligam." [1]
Então onde entra a contradição? Eu diria que são duas as formas que ela assume: viver “no mundo da lua”, que é o sonhar e não agir pelos meios compatíveis da boa natureza criada por Deus; ou agir sem antes considerar as subjetivações  que emanam das ponderações e dos princípios que Ele passou à única criatura moral criada à sua imagem e semelhança, esse homem para quem o Criador organizou a Terra dos Homens, título que tomo emprestado do notável romance escrito por Saint-Exupéry.
Assim como não podemos, por nós mesmos, fazer o mundo melhor se melhores não nos tornarmos seguindo o padrão traçado pela Suma Perfeição, também não veremos um mundo melhor se não houver em nós o propósito de melhoria espiritual que atenda esse padrão. É triste pensar que há quem se conforme com as excelências já conquistadas a nível de ensinamentos meramente humanos.

Carlos Mendes



[1] Langston, Teologia Bíblica do Novo Testamento








sábado, 2 de março de 2013

Curiosidades



Um diálogo com o Gilmar Oliveira,
http://www.universodopetroleo.com.br/2011/02/rlam-primeira-refinaria-de-petroleo-do.html

"A RPBC (Refinaria Presidente Bernardes em Cubatão, SP) foi a primeira grande refinaria da Petrobras, projetada pela empresa norte-americana Hydrocarbon Research, Inc. em 1952, com equipamentos fornecidos pelo consorcio francês Fives-Lille/Schneider & Cie.

Foi inaugurada pelo presidente da República João Café Filho, em 16 de Abril de 1955, sendo na ocasião responsável por 50% do abastecimento do Brasil." (Wikipédia)

Eu trabalhei nela desde 1953 a 1956, desde sua construção com Mr. Buras, engenheiro chefe da Hydrocarbon, e, depois de formado pelo Centro de Formação e Treinamento da Petrobrás, como Técnico em Destilação e Refino de Petróleo, fui da primeira turma de brasileiros especialistas nesta área a tocar a primeira grande refinaria de petróleo no Brasil. Valeram as iniciativas anteriores, embora, à época e em relação ao que ocorreu em 1952, foram, naturalmente, experiências inaugurais muito dependentes de técnicos estrangeiros.
Esta é uma grande história, que merece enfáticos encômios. Mas há registros de graves tragédias que ceifaram a vida de engenheiros e técnicos como eu fui. Em um dos meus primeiros turnos (16 às 24 hs.), ocorreu a primeira tragédia na Unidade de Óleo Crú, onde três colegas morreram devido à grave explosão. Eram um engenheiro e dois Operadores Técnicos, que vimos estorricados no chão de pedra britada da citada unidade. 
Carlos Mendes
Correspondências:  sensoriocritico@terra.com.br


http://egeneto.blogspot.com

2 de março de 2013 12:07

sexta-feira, 1 de março de 2013

Leia!


O Blog “LogosNews” recomenda a leitura da matéria “Cristãos de Verdade”, link abaixo:

A poesia de Mendes Carlos


SOB O OLHAR DO ESPÍRITO©

Quando me exalto e lembro que sou pó,
Volto à minha casca, como o caracol.
Vendo então, contrito, que não estou mais só,
Sigo a aurora de um novo arrebol

Pois ainda há tempo para novo intento
E sem contratempo que não haja jeito,
Ajeito o exemplo com o advento,
Que contemplo: Meu Salvador eleito,

Atraindo-me ao albergamento
Da Paz presente que me faz afeito
À Vida sem par, que experimento.

Então eu gozo esse bom efeito
Que expulsa agora meu abatimento
Pela contrição deste bom momento.

© Carlos Mendes


Provas invisíveis
(Soneto baseado na Epístola Aos Hebreus 11:1)

Numa noite, apareceu-me, um dia,
Sem mostrar-se ao senso de minha visão,
Aquele a quem a posse de um bem pedia,
E sem sentir-lhe o toque, estendeu-me a mão.

Se te perturbam palavras opostas,
Ou aparições sem aparência,
Dou-te as explicações nelas expostas,
Que te servirão como evidência.

Desprezando tudo e não crendo em nada,
Andava pelo mundo, como um jumento,
A minh’alma, que foi assim tocada.

E se esta fé for teu instrumento,
Silente soará a badalada
Estremecendo antigo fundamento.

Carlos Mendes.
(Baseado na fé robustecida por longos trinta e sete anos)