sábado, 15 de dezembro de 2012

É Natal e Ano Novo, De novo - 05








O Natal©

Como homem nasceu e morreu,
Mas ressurgiu e está vivo
Com o poder de quem dantes viveu
Sem Natal, ora fato efusivo.

Quanto amo o Natal verdadeiro,
Diferente do que só é festa,
Pois ao Infante me dei por inteiro
E agora só vida me resta!

Vida eterna após doce sesta
Sem desterro deste caminheiro,
Que aprendeu uma vida que presta!

É Natal do gentil companheiro
Que acompanho andando à sua destra,
         Pois tirou de meus olhos o argueiro.

© Carlos Mendes


quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Parênese


Uma renúncia necessária©

“Quando o eu não é negado, ele é necessariamente adorado” (BLANCHARD). E a graça não visita a casa que permanece trancada pela usurpação do “eu”.
Os familiares deste senhor que agora elejo personagem desta parênese têm filiações com outros que encontramos na divertida crônica “Passeio na Ilha do Seu Usucapião!, escrita pelo poeta Drumunt, que agradou o nosso filólogo Pedro Luft ao ponto de fazê-lo entrar na brincadeira, animando-me ao contributo.
Segundo Luft, do nosso “eu” (o usucapião desta parênese) descendem: usucapiente, usucapir e usucapto. Pela sua demência, este último lembra o Mentecapto, de Fernando Sabino, e anda usucapindo favores ilícitos.
Usucapião, o patriarca da famigerada família é prático na usocapionagem. É um usucaptor. Ele espia, espiona oportunidades de “levar vantagem em tudo”, de ter direito ao uso e gozo de todas as coisas, ou seja, apropriar-se de um cupão permanente que lhe de direitos a usos pessoais irrestritos.
Esse “eu” que assume aqui o personagem usocapião não pode mesmo ter o governo de si mesmo, pois o “eu” exerce um governo maligno cujo fim são dores contraditórias, às quais Agostinho aludiu em “O Sofrimento Universal”. O bem que queremos fora do “eu” se desvanece e estiola nas ações do “eu”.
Usocapião não conhece a fórmula “Amar é ser feliz com a felicidade de ‘um outro’, que Leibiniz nos ensinou. E eu creio que só um tolo consumado aceitaria relações de amizade com alguém vivendo sob o predomínio do próprio eu, o que, hoje em dia, aqui não nos falta.

©Carlos Mendes

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Conto Ligeiro


É Natal e Ano Novo deNovo - 04


O Menino da Manjedoura

Chegou ao mundo sem saber quem era,
Bebê sem fala, sem cabelo ou dente
Que nasceu com fome e chupou no peito
Da mãe que teve após longa espera.
O pai humilde, do lar ausente,
O mais que soube foi o grande feito
Onipotente que o Senhor lhe dera

Na manjedoura, quem chorar pudera
Devido à cólica comovente,
Dormita agora no improvisado leito
Ouvindo um ruminar de fera.
A mãe canta um ninar fluente
A quem no sono descansar quisera

O som de um “Glória a Deus” se fizera
Pelos ares da noite ardente
E pastores foram conhecer o eleito
Que inaugurava uma nova era.
Viram o menino, Messias competente,
Agora afagado junto ao materno peito
Daquela que das entranhas o tivera

Era a profecia de uma nova era
Para um povo, de Deus carecente,
Cumprindo-se de modo escorreito
Para todos os de toda esfera.
O autor, Benfeitor bem diligente,
Preparara essa salvação a eito
Pra quem suportou tão longa espera.

©Carlos Mendes
Natal 2012.

Este fiasco não me espanta,mas me aborreceu!


sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

É Natal e Ano Novo de novo! - 03


Eufonia

Agradáveis sons vindos do céu
Na serena noite do Natal,
Produziram audição para os pastores
E a cantilena agradou a um corcel
Afável, mas faminto comensal
Entre dezenas de espectadores,
Amável platéia que, sem aranzel,
Ouviu do coro angelical louvores.

Deitado em tabuleiro de capim
Recebia culto o infante divinal.
Abastado em Graça e em Verdade.
Bastava para si leito chinfrim*
Emprestado em momento crucial,
Que chegava pondo fim à falsidade,
Do detestado e licencioso festim
Do coitado réu de um vil chacal.

A eufonia então prevalecente,
Encheu de júbilo o povo santo,
Corografia de plaga alçada
Que enobreceu a eloquente
Hegemonia no espanto.
E o corifeu em revoada
Garantiu a harmonia, qual docente,
Estabelecendo ali o nobre canto.
 © Carlos Mendes.
     Dez/2012  

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

E não é que dei trela a um deles?...


Diálogo improdutivo

“Ainda podemos guardar o bom-senso”,
Dizem-me lábios, que calculo zombeteiros.
“Em cada cem brasileiros, existem vinte e cinco...”
Vinte e cinco por cento!? – sopro a minha indignação.
“Interrompes, sem conheceres o próprio da estimativa?...”
Me escuso e deixo que prossigam. Olho os lábios se movendo e talvez por preconceito os imagino arrogantes.
“Vinte e cinco brasileiros entendendo o que lêm!...”
Com desprezo no olhar deprecio a ufanosa exposição...
E me desculpo lembrando-me que falo com um petista.