sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

É Natal e Ano Novo de novo! - 03


Eufonia

Agradáveis sons vindos do céu
Na serena noite do Natal,
Produziram audição para os pastores
E a cantilena agradou a um corcel
Afável, mas faminto comensal
Entre dezenas de espectadores,
Amável platéia que, sem aranzel,
Ouviu do coro angelical louvores.

Deitado em tabuleiro de capim
Recebia culto o infante divinal.
Abastado em Graça e em Verdade.
Bastava para si leito chinfrim*
Emprestado em momento crucial,
Que chegava pondo fim à falsidade,
Do detestado e licencioso festim
Do coitado réu de um vil chacal.

A eufonia então prevalecente,
Encheu de júbilo o povo santo,
Corografia de plaga alçada
Que enobreceu a eloquente
Hegemonia no espanto.
E o corifeu em revoada
Garantiu a harmonia, qual docente,
Estabelecendo ali o nobre canto.
 © Carlos Mendes.
     Dez/2012  

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

E não é que dei trela a um deles?...


Diálogo improdutivo

“Ainda podemos guardar o bom-senso”,
Dizem-me lábios, que calculo zombeteiros.
“Em cada cem brasileiros, existem vinte e cinco...”
Vinte e cinco por cento!? – sopro a minha indignação.
“Interrompes, sem conheceres o próprio da estimativa?...”
Me escuso e deixo que prossigam. Olho os lábios se movendo e talvez por preconceito os imagino arrogantes.
“Vinte e cinco brasileiros entendendo o que lêm!...”
Com desprezo no olhar deprecio a ufanosa exposição...
E me desculpo lembrando-me que falo com um petista.  



quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Cidadão & Opinião


Atitudes-Essenciais

Amigos,

Se ainda não viram, recomendo-lhes assistir os slides (com textos) que se encontram no link:


Creio já ter-lhes falado, que se esta atual crise faltosa de um mínimo de patriotismo entre nós; do sub-desenvolvimento culto, mental e honrado por parte de nossos políticos, me apanhasse aos 30 anos de idade, teria procurado uma outra nação que me adotasse como seu cidadão.

Mas, como já alcancei os 80, de forma alguma abandonaria, não a pátria, mas os seu  e meus filhos à sanha tão perversa como agora ocorre num ascender tirânico inominável e a curtíssimo prazo.

E não teremos saída possível desse mar de lama e poço de intranqüilidades se não conseguirmos número de patriotas que desistam de suas própria vidas, com disposição para enfrentarem até perdas ainda maiores do que estas, para sustentar um movimento social que lhes garanta real possibilidade de controle da sociedade sobre os verdadeiros cargos eletivos, o que não se pode obter sem eleições distritais de pequenos grupos de cidadãos eleitores, por proclamação aberta e não mais sigilosas para os cargos majoritários de presidente a república, governadores de estados e prefeitos municipais. Urnas? Somente para cargos legislativos e, mesmo assim, com emissão de comprovante para o eleitor poder conferir em seus distritos, com presença de autoridades competentes, e direito de proclamar estes resultados paralelos.

Chega de safadeza, também para os eleitores corrompidos! Quem estiver desempregado por mais de seis meses durante uma eleição, e ganhando auxílio desemprego, deve ter seu direito de votar suspenso.

Carlos Mendes
RG 3.770.029

P.S.: Após madura reflexão sobre esta proposta, rogo-lhes que me façam conhecer vossos pareceres, pois os acatarei sem rebuço. Mas transmitirei para toda a rede somente pareceres contributivos para esta solução, pois sem ela não vejo qualquer possibilidade de acabarmos democraticamente para retomar o que nos pertence por direito cidadão: o controle da sociedade sobre o Estado.      

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Cantiga satírica


São zombeteiras, escarnecedoras ou maldizentes

Não conheço quem possa viver
Neste reino já contente,
Pois a desordem no povo
Não quer deixar de crescer.
Ela está tão sem medida
Que não dá nem para sofrer
Não há aqui quem possa ter
Boa vida.

Outros vão trazer atados
Uns lencinhos no pescoço
Que quão grande pedra num poço
Deveriam ser jogados.
Outros, sem ser emancipados,
Sendo menores de idade,
Já andam com a vaidade
Agravados.

Em qualquer aldeiazinha
Achareis tal corropção,
Pois mulher de um escrivão
Acha que é uma rainha.
E também os lavradores
Com suas más novidades
Querem ter as vaidades
Dos senhores.

Extraído de:PRODUÇÃO DE TEXTOS & GRAMÁTICA, Ed.Saraiva
Samira Yousseff Campedelli, Jésus Barbosa Souza

Duarte da Gama trovas às desordens em Portugal.
Gama, Duarte da (séc. XVI). - Poeta português. Sua obra aparece numa edição do Cancioneiro de Garcia de Resende, impressa em Lisboa em 1516.
©Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Crônicas

Excelência,
Por: Carlos Mendes


            O senhor já terá notado o incremento no número de carrinhos que circulam pelas nossas cidades, puxados por cidadãos que recolhem os recicláveis nas nossas lixeiras. Hoje eu fiquei abismado com o número de carrinhos que ultrapassei com o meu carro. O senhor sabe do que me lembrei, excelência? Dos indianos puxando os carrinhos que transportam pessoas. Lá eles carregam gente e aqui nós carregamos os recicláveis que separamos nas lixeiras. Seremos mais pobres do que eles, excelência? Ao longe avistei um que caminhava lentamente e quando o ultrapassei senti um aperto no coração. Ele parara e se assentara no meio fio para descansar. Era idoso e levava carga pesada. Pensei: “quanto lhe pagarão pela carga?” E como subsistirá se contrair uma hérnia? Terá um plano de saúde? Alguém que cuide dele se ficar doente?

            Achei que pensava demais quando avistei outro carrinho. No caminhar, a cabeça de quem o puxava subia e descia acima da carga. Ao ultrapassá-lo, vi que era uma mulher gorda que o puxava. Tinha uma perna mais curta do que a outra, excelência, e o dia do meu calvário tornava-se pleno dessas sofridas visões. Aí, excelência, como sou metido a inventor, logo bolei uma engenhoca para colocar como acessório em meu carro  para puxar os carrinhos dessa via-crúcis, imitando o cireneu que ajudou Jesus a carregar a cruz. Fui então assaltado pelo receio de o fato ser divulgado entre os puxadores de carrinhos. Como conseguiria rebocar uma composição com centenas deles? Excelência, eu fiquei muito indignado e decidi sugerir-lhe decretar a seguinte punição para os políticos corruptos: Puxarem pelas ruas esses carrinhos, como mulas desses nossos irmãos pobres.


NOTA DO AUTOR: Artigo com publicação repetida em tablóide da cidade de Ribeirão Pires. Coincidentemente, a cooperativa de catadores de recicláveis foi organizada nesta cidade. 


Coragem cívica amarelada
                                                        Carlos Mendes

Meu falecido avô contava uma velha história sobre a resposta de um soldado ao seu comandante, quando este o inquiriu sobre um ensinamento de bravura nas fileiras onde se debatiam com seus in inimigos: “É matar ou....”. O soldado, prestes ao seu batismo de fogo contra um poderoso exército inimigo respondeu: “ou correr”. Como assim!, bradou o capitão indignado. O soldado tremelicando confirmou o que o pavor lhe ditava do inconsciente: “Capitão, ou eu ma-a-to ou eu mo-o-rro...”. É isso aí soldado, responde o capitão. Agora repete bem alto pra todos aprenderem esse ensinamento de bravura. E o soldado obedeceu, trêmulo como vara verde: “É... ou eu corro pro mato ou eu corro pro morro”.
       Eu nasci nas últimas horas da véspera em que o conflito armado da revolução de 32 foi deflagrado. Meu pai era então feitor de um sítio de bananas às margens dos mangues ao norte do cais do porto de Santos. Ele era português de gênio estourado e contam que certa vez teve de atirar contra a cabeça de um peão fazendo a bala resvalar-lhe o couro cabeludo, sentado à mesa onde a minha mãe  servia as refeições. Os mal-encarados trabalhadores que cortavam os cachos das bananas e que os carregavam por longos caminhos até o embarque nas grandes chatas que os transportavam ao porto, andavam todos de facas grandes e afiadas à cinta e, como soe acontecer em tais meios, os seus olhares para o capataz, (neste caso, o meu pai, homem franzino na idade jovem), eram desafiadores. Por isso e por conselho do proprietário do sítio o meu pai andava sempre com arma à cintura.
       Mas vamos ao que interessa. Eclodiu a revolução de 32 e os agentes de recrutamento   alistaram nas fileiras revolucionárias alguns dos peões daquele sítio. Depois de poucos dias eles foram aparecendo, debandados das fileiras. À noite, dentro dos barracos onde dormiam, ouviam-se as lamúrias e os choros medrosos, pavores subliminares aflorando dos seus inconscientes.
   Dos tempos atuais posso registrar uma experiência muito parecida. Ou a velhice me trouxe a coragem ou eu sempre fui um corajoso e não sabia. Há três meses atrás comecei a coordenar um mídia eletrônico que o cerne da insatisfação popular fez expandir-se rapidamente, tendo chegado a mais de cem mil numa rede básica formada por outras a ela agregadas, que se comunicavam entre si, passando os ideais de limpeza na máquina pública e política. Pois bem, para que esfriasse o ardor do grande sonho que crepitava nos corações dos patriotas do grupo empenhado em livrar o país da corja de bandidos, bastou a quase confirmação de ter partido da liderança petista o plano para o assassinato de dois prefeitos.
    Dia destes pensei em assistir mais uma vez o filme “El Cid”, mas desisti. Desisti por revolta e vergonha ao lembrar-me da cena em que o famoso soldado e cavaleiro de nobreza pura, empunhando sua espada contra o campeão do Rei e seu futuro sogro, depois deste ter-lhe negado o pedido de desagravo à ofensa contra o velho pai do Cid, lhe disse: “Vejo que a coragem não está morta em Castela. Vá Rodrigo, que honra haverá para um campeão do rei em matá-lo?”, ao que O Cid respondeu: “Pode um homem viver sem honra?”.
   Que pena faltar-nos hoje em dia esse nobre sentimento de honra e de valor!

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Prazer e ternura de se ter


Estela, prazer e ternura de se ter

I

“Tu és o amor que existe em nós, / ternura boa de se ter / Como o lavor de[1] fino retrós.”

II

Todo o amor que tu já deste / a este homem duro qual cipreste/ o fez rever seu instinto agreste. / E de tanto ver tua foto com nosso bisneto / notou em ti seu sol[2] vindo do este.

III

Agasalhados por ternura, / que manifestas em teu amor, / dela tu nos dás fartura / ao nos cobrir com teu dulçor.

De: Carlos Mendes, marido venturoso.


[1]  Ao declamar, faça pausa aqui. E faça uma ênfase  na sílaba tônica de “fino”
[2] Idem